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Brasileiro foi recusado para uma vaga de barista em um café em Sydney por ser negro

Publicado por Marina Abreu Silva

Brasileiro foi recusado para uma vaga de barista em um café em Sydney por ser negro

Até quando as pessoas vão ser tratadas diferentes por causa de cor, sexo, religião, orientação sexual?

forbescafeNilson dos Santos tem 39 anos, é brasileiro e cidadão australiano. Nilson trabalha como barista na Austrália há nove anos.

Ele aplicou para a vaga de barista para trabalhar no café Forbes and Burton que fica em Darlinghurst, Inner Sydney.

O dono do café, “Steven”, é Chinês e chegou na Austrália neste ano. Ele precisa manter seu negócio por pelo menos dois anos para assegurar um visto permanente na Austrália.

Steven disse que os clientes não gostariam de ter o “café feito por uma pessoa negra”.

Leia o caso relatado por Nilson abaixo e não tem como não se impressionar com a reação que ele teve. Eu tiro o chapéu pra ele e isso nos ensina uma grande lição. Pagar com a mesma moeda não é a resposta.

Nilson –

“Eu amo a Austrália, sou livre aqui e por isso escolhi ficar. Sempre me senti aceito e bem vindo. Pra mim nunca foi um problema ser negro até hoje.

Eu estou procurando por um trabalho como barista então eu liguei pra ele ontem (Sábado) pra marcar a entrevista depois de achar o anúncio no Gumtree.

Pelo telefone ele me perguntou de onde eu era e eu disse que sou brasileiro.

Quando eu cheguei no café para a entrevista ele olhou pra mim e pareceu surpreso. Ele não gostou do que viu.

Nos sentamos e ele falou “mas você e negro?”

Eu disse sim e ele me disse “mas meus clientes são brancos. Eu não acho que eles vão gostar de ter o café feito por uma pessoa negra. Isso não e parte da cultura do café. Você é africano.”

Ele disse que eu não seria capaz de realizar o trabalho porque eu sou negro.”

Nilson disse que ficou sem saber como reagir.

“Eu pensei, o que eu devo fazer? Eu queria socá-lo mas pensei que se eu reagisse dessa forma, não seria a coisa certa a fazer.

Mas também pensei que se eu simplesmente saísse e fechasse a porta, ele iria fazer isso de novo com outra pessoa. Então eu senti que devia fazer alguma coisa pra ensinar uma lição e mostrar a ele que não e dessa forma que você trata uma pessoa.

Então eu levantei no meio do café e disse: “Com licença, não quero atrapalhar ninguém mas eu acabei de pedir emprego e ele me disse que eu não posso pegar o trabalho porque sou negro e eu não deveria fazer café para nilsonpessoas brancas.”

Mesmo que uma coisa horrível aconteceu, várias pessoas se aproximaram para me dar suporte e me confortar.”

Vários cliente expressaram sua indignação na pagina do Forbes and Burton no facebook.

Alguns clientes se retiraram do local e uma garçonete se demitiu e pediu desculpas a Nilson pelo tratamento que ele recebeu.

Steve ainda disse “não sou racista. Me desculpa mas eu fui honesto, na minha opinião eu quero contratar alguém local, eu prefiro que o barista seja local, não de outros países. Algumas pessoas acham que africanos não fazem um bom café”

Mas quando foi perguntado de onde era o barista que estava trabalhando naquele momento, ele disse: Japão.

Nilson continua amando a Austrália.

“Eu tenho o mesmo amor pela Austrália, não tenho arrependimentos. Eu sinto pena dele porque ele é infeliz e tem problemas.

Eu cresci nas ruas quando era criança. Eu e minha mãe não tínhamos uma casa pra morar. As vezes a gente tinha que procurar comida no lixo pra sobreviver. Ela tinha problema com bebidas e fez a gente pedir dinheiro nas ruas.

Eu tive que deixar minha mãe quando eu tinha 8 anos porque ela trocou meu irmão por uma caixa de bebidas. Eu nunca mais o vi, eu não sei se ele esta vivo.

La, as pessoas te acusam de coisas por você ser negro. Austrália nunca foi assim ate o dia de hoje.

Quando eu cheguei aqui, eu me senti tão livre. Eu sabia que esse era o lugar que eu queria estar. Aqui ninguém me olha como se eu fosse diferente. Eu achei que aquele tempo estava no passado.

Eu me sinto muito feliz por ser  australiano. Desde que me tornei cidadão, eu me vejo como um australiano. Você entende que você tem os mesmos direitos que todos e também as mesmas obrigações.

Eu sou feliz e agradeço por estar aqui, a Austrália e um grande pais com muitas oportunidades e pessoas maravilhosas. Eu nunca me senti diferente antes.

Nós somos todos humanos. Todos merecemos ser amados e respeitados”

Esse café fica perto da minha casa e não preciso nem dizer que não vou colocar meus pés lá.

E muito bom ver o suporte que o Nilson esta recebendo de pessoas de todas as nacionalidades. Infelizmente alguns comentários em defesa ao Nilson são racistas contra asiáticos, o que não faz o menor sentido.. pessoas que fazem comentários desse tipo não aprenderam nada com a história do Nilson.

Vários comentários, piadas e brincadeiras feitas no dia a dia são racistas/preconceituoas e na maioria das vezes a pessoa que faz não vê problema algum, afinal não a atinge. Então vamos pensar duas vezes e contribuir para um mundo melhor? Faça sua parte!

Fonte com a noticia em ingles

 

Sobre o autor

Marina Abreu Silva

Marina (Nina) mora em Sydney desde 2010. É barista, baterista, developer, blogger e agente educacional. Trabalha com intercâmbios e criou o site Tagarela pra ajudar outros brasileiros que tem a intenção de visitar, morar ou migrar para Australia.

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